A morosidade no atendimento cirúrgico à crianças com cardiopatia também acontece devido a falta de leitos de UTI preparadas para recebê-los após a cirurgia. Se não houver vaga na terapia intensiva para a criança, não é possível realizar a operação. Dentro desta questão, a falta de profissionais na terapia intensiva pediátrica e neonatal, é o motivo que emperra a expansão dos leitos de UTI. No Rio Grande do Norte são formados apenas dois neonatologias por ano, e não há residência de intensivista pediátrico no Estado.
Entre avanço e espera, o caminho dos bebês cardiopatas é traçado. Jackson Gabriel, recém-nascido internado no Hospital Santa Catarina, conseguiu uma vaga e viajou na madrugada de ontem para Curitiba, onde deverá ser cirurgiado. Maria dos Prazeres e seu filho já aguardavam há um mês pela operação. O bebê vai realizar sua terceira transferência de hospital, mas enfim com uma resolução imediata. Jackson nasceu em Goaianinha e já tinha sido internado por 15 dias na Maternidade Divino Amor e mais 15 dias no Hospital Santa Catarina.
Enquanto isto, Victor Gustavo ainda aguarda definições no Hospital Maternidade Januário Cicco. Nascido prematuro de 7 meses, foi diagnosticado, ainda no parto, um sopro no coração do bebê. Desde então, há dois meses e seis dias, ele vem sendo mantido sob medicamentos, mas seu caso só será solucionado com cirurgia. Cristina Florentino, 27, mãe do Victor, continua apreensiva com a situação. Ela procura constantemente os órgãos competentes para agilizar o caso, mas reclama por respostas inconsistentes. Ela teve a informação que um bebê cardiopata seria cirurgiado hoje, mas não tem certeza se seria o seu filho. “Fui na Sesap e disseram que era meu filho, cheguei no hospital e descubro que não era. Não sei mais o que fazer”, declara Cristina.
Em março deste ano, o Ministério da Saúde declarou o aumento da necessidade de leitos para UTI neonatal. Anteriormente, o serviço de saúde publica deveria garantir um leito de UTI para cada mil nascidos vivos. A partir de março deste ano, o índice aumentou para dois leitos. Mas a determinação ainda é insuficiente, de acordo com Reginaldo Holanda, neonatologista e pediatra intensivista, e chefe do departamento de Neonatologia do Hospital Santa Catarina. Ele recomendou, a partir de pesquisas e estudos na área, que se estabelecesse a necessidade de quatro leitos para cada mil.

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